domingo, 29 de março de 2009

O de cima sobe e o de baixo desce

Quarta-feira de manhã. Meia hora no trem até Rayleigh. Tempo instável, mas a cada vez que as nuvens se dissipam, um azul esplêndido me hipnotiza. Poucas pessoas nas ruas desta cidadezinha suburbana, como em qualquer outra cidadezinha suburbana da Inglaterra. De tão perfeitinhas, as casas parecem de brinquedo. Flores no parapeito das janelas coloridas festejam a primavera. Portões baixos revelam que não há perigo.
Chego à escola para aplicar um teste em uma turma de adolescentes brancos, sem nenhum rastro de minorias étnicas. Na prepotência de seus 14 anos, as meninas carregam bolsas de madame, exibem seus cabelos escovados e olhos pintados, brincam com os celulares e desprezam a professora. Os meninos tiram gracinhas infantis e fazem bagunça.

Quarta-feira à tarde. De volta a Londres, resolvo explorar uma nova rota para o Tai-Chi. Uma caminhada de uma hora cruzando o bairro de Tower Hamlets, um dos mais carentes da cidade. Nos prédios feios, a proximidade das portas e janelas denuncia o minúsculo tamanho dos apartamentos. Um rapazote toca insistentemente a campainha de um centro comunitário em cujo muro está afixado um cartaz justificando o fechamento temporário do lugar devido ao "comportamento inadequado de certos indivíduos". De repente, me deparo com uma mini fazenda, onde vacas e ovelhas pastam em meio a encombros e lixo. No parque, adolescentes correm loucamente atrás de bolas. Uma feira em seus últimos momentos entulha a calçada com mercadorias baratas.
Todo tipo de minoria étnica cruza-se nas ruas, escancarando seus estereótipos. Negras com seus penteados extravagantes e batons vermelhos gargalham e falam alto. Árabes com suas burcas puxam crianças pela mão, em silêncio. Indianos negociam a cada esquina.
Os centros comunitários oferecem cursos, atividades de lazer, livros, computadores, filmes, jogos, na esperança de apaziguar os ânimos dos adolescentes que andam em gangues a esfaquear-se uns aos outros. Os centros vivem cheios, mas os seguranças atentos são apenas mais uma evidência das tensões que pairam no ar. Tensões de habitantes sem raízes, em busca de uma identidade, vivendo em suas ilhotas culturais em uma Londres de desigualdades. Dizem que Londres não é mais Inglaterra. De fato, nesse ritmo, não vai demorar muito para os ingleses virarem uma minoria étnica em sua própria capital.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Também quero viajar nesse balão


Porque a mesa lá de casa está verde e amarela com os pés de manjericão e coentro e as flores que N. comprou.

Porque Michael Jackson vai fazer um show em Londres no dia do meu aniversário e eu nem gosto de Michael Jackson mas queria dizer que ele vai fazer um show em Londres no dia do meu aniversário. Fora os outros nove, neste mesmo verão.

Porque ao pegar meu exemplar de Fernando Pessoa - Quando fui outro lembrei daquela tarde na Livraria Cultura em que o mesmíssimo exemplar estava em suas mãos e eu o olhava feliz.

Porque C. estava assistindo Juno e por causa disso eu voltei a escutar a trilha sonora do filme que é muito fofa e me traz boas lembranças.

Porque B. me mandou um vídeo de suas escaladas mundo afora que, apesar de ter me deixado com inveja, me divertiu um bocado e deu vontade de ver de novo.

Porque minha lista de pessoas que me tomam por uma indiana cresceu mais um pouco.

Porque minha irmãzinha ficou muito feliz com o cartão gigante de aniversário que mandei pra ela, em formato de urso e cheio de adesivos de gatinhos, e me disse em recado do orkut que iria me "responder pelo correio".

Porque eu quase comecei a dançar no metrô quando a versão em forró do Trio Virgulino para Superfantástico tocou no meu ipod.

Porque ele me contou uma história fascinante, frase a frase pelo gtalk, porque estava no trabalho e "precisava disfarçar", e eu, em fim de expediente, recostada na cadeira e comendo uma laranja, fui criando cada cena em minha imaginação e pensei que eu preferia estar comendo um pastel de calabresa com queijo.

Porque a caminho do King's College atravessei a Waterloo Bridge e avistei o Big Ben e me dei conta que Londres tem suas pequenas maravilhas.

Porque meu professor de Pilates me disse dejame hacer algo e me agarrou os punhos, colou suas costas nas minhas e curvando-se, suspendeu-me sobre si, esticando-me como eu não sabia que podia ser esticada.

Porque um carinha me parou na rua e me mostrando o visor de seu celular perguntou se a mensagem estava escrita corretamente e eu lhe sugeri gentilmente acrescentar um "e" depois do "t" em unfortunatly (sic.).

Porque um amigo me escreveu um email só dizendo que, por nada, bateu uma saudade.

Porque B., quando me escreve, chama-me de Miss P. e eu acho bonitinho, parece que sou uma agente secreta ou uma detetive dos livros de Agatha Christie.

E porque, para essa apressadinha aí ao lado, já é primavera em Londres.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Amigos amigos, friends à parte

Daqui a mais um pouquinho, completo um ano no reino de Sua Majestade, the Queen of England. Não é que me sinta em casa (there's nothing like home) mas ouso dizer que consegui preencher o meu celular com um número suficiente de contatos a quem posso recorrer em uma emergência (touch wood!). Parece dramático, mas a sensação de nobody cares ao se aterrissar sozinha em uma terra estranha assusta, e o fato de saber que alguém vai perceber se você desaparecer já é um grande avanço.
No entanto, laços de amizade não se firmam do dia pra noite, especialmente em um caldeirão cultural como Londres. Aqui, todo mundo tem muitos friends. A palavra voa de boca em boca: "a friend from work", "a friend of mine", "I'm meeting some friends", "that's my friend". Friend, porque não tem outra palavra, mas pode ser alguém que você mal conhece. Não deixa de ser uma companhia legal, mas não é aquela pessoa a quem você vai responder "estou péssima" quando ela vier com o casual "tudo bem?". Você vai responder: "tudo bem". E sem maiores detalhes, falar dos diferentes tons de cinza do céu e daquele dia em que fez sol, do casamento da ex-Big Brother que está com câncer e em todos os tabloides, e das suas últimas e próximas viagens. Dá pra se divertir e dar boas risadas, mas entre tantos friends, contam-se os amigos nos dedos.
Quando voltei da França e passei uns meses na minha antiga escola, falei pra minha vó, com quem morava: "M. é minha melhor amiga". Com sua habitual seriedade, vovó retrucou: "Amiga? Você está lá há pouquíssimo tempo... diga que ela é sua melhor colega, mas não sua melhor amiga.". Fiquei triste, pois estava desesperadamente precisando de amigos, mas nada como a sabedoria dos anos. É, vovó, M. nunca passou de uma friend.
Muitos friends cruzam nossos caminhos e por que alguns deles tornam-se amigos é um mistério. Há alguns dias reencontrei, depois de 17 anos sem contato, minha "grande amiguinha" da temporada francesa. Tínhamos apenas 11 anos quando nos separamos, mas nunca hei de menosprezar a força das amizades dos tempos de escola.
Bons tempos de escola, que também me presentearam com um grupinho que, embora hoje espalhado pelo mundo, está, de alguma forma, sempre presente. Paira entre nós um sentimento implícito de "conte comigo". Sim, vamos sempre rir das mesmas piadas, vamos sempre contar as mesmas histórias, e vamos sempre tirar onda uns dos outros. Porque somos amigos de escola. E estenderemos a mão um ao outro sempre que for preciso. Como todas as suas tentativas de me deixar bêbada fracassaram, nunca cheguei a fazer o discurso "amo vocês". Mas é a eles, junto com mais umas pessoinhas muito queridas que encontrei aqui e ali, que dedico esse texto. Por serem mais do que friends of mine.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Por um pouco de crédito

O dia tinha estado lindo, mas para nos lembrar da nossa localização geográfica, São Pedro salpicava-nos umas gotinhas d'água. Vinha eu, absorta em minha música, fones nos ouvidos, protetor de orelhas a cobri-los, andando sem pressa por esta tarde de inverno. Ela me sorriu de longe, e achei que não fosse comigo. Mas ela veio em minha direção e o movimento de seus lábios me obrigou a tirar o protetor de orelhas, tirar os fones dos ouvidos e pedir-lhe que repetisse.
- Sorry... do you have credit?
Pelo sotaque, ela claramente não era britânica. Por me abordar assim no meio da rua, ela claramente não era britânica. Surpreendida, não soube como interpretar a pergunta. Crédito? No banco? Na praça? Na vida? No celular? Batata, no celular. Sem muita filosofia, Taciana. Ali, parada no meio de uma calçada qualquer, ela precisava telefonar e, ó azar, o seu crédito acabara. Entreguei-lhe o meu celular, preparando-me para vê-la sair correndo com ele - não que seja um iphone, muito pelo contrário, mas o que esperar de uma criatura que lhe para na rua pedindo o celular emprestado? Mas em vez disso, ela simplesmente teclou um número, teclou de novo, mas não conseguiu contato. Sugeri-lhe enviar uma mensagem de texto, mas ela, sempre sorrindo, recusou e agradeceu, tocando-me no braço (tocando-me? Definitivamente, ela não era britânica).
Cheguei em casa e relatei o inusitado episódio a minha - britânica - companheira de apartamento, N. Ela me ouviu atônita, mas, britanicamente, evitou maiores comentários. Mais tarde, eis que toca o meu celular, e uma voz de homem pergunta: "você ligou para este número?" "Ah!", respondo eu, "é que uma menina me parou na rua e blá blá blá"; "Ah, ok". Clic.
Assim que desligo, grita N., de seu quarto, em um tom de total reprovação: "eu ouvi isso!!!", emendando: "NUNCA tente ajudar as pessoas."
E cá com meus botões, fiquei pensando se era mesmo essa a moral a ser tirada dessa história.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Pisca-alerta

Então, você está no controle. Senhora de si, que maravilha. Papai e mamãe já há algum tempo deram-lhe carta de alforria e agora é com você, big girl. Vai decidir sozinha pra que lado girar o volante. Medo de se perder? So sorry. Os pedestres, os passageiros dos ônibus, os outros motoristas, e até o seu carona vão oferecer ouvidos, ombros e conselhos cuidadosos, mas o caminho você é quem vai ter que decidir. No banco de trás, viaja a Sra. Responsabilidade - ela é toda sua. Grande, ela, né? Pesada... Assusta um pouco? Pois ao lado dela está muito confortavelmente instalado o Sr. Livre-Arbítrio. Ô sujeitinho de duas caras, viu? Faz a maior propaganda enganosa usando e abusando do nome da Sra. Liberdade, e quando você firma contrato, ele larga-lhe a mão e dispara: resolva sozinha, que aqui eu não apito. Sempre em cima do muro esse aí.
Mas acostume-se com eles, porque a Sra. Responsabilidade e o Sr. Livre-Arbítrio irão lhe acompanhando onde você for. Alegre-se! Pelo menos você não estará apenas na companhia da Srta. Solidão, que você trancou no porta-malas, mas que não para de fazer barulho. Então já que seus novos amigos insistem em repetir "você é quem sabe", arrisque, tente, resolva. E depois? Depois deleite-se em satisfação ou afunde-se em arrependimento. E depois ainda, diminua sua euforia ou recupere-se de sua depressão. E no terceiro depois, volte a um estado emocional regular e prepare-se para a próxima decisão na sua estrada.
Quanto mais saídas do giradouro, mais difícil escolher. Essa história de deixar a vida nos levar é uma delícia de comodidade, mas todo caminho se bifurca. E as placas, em vez de indicar claramente um destino, sinalizam apenas uma vaga direção. Aí o coração puxa para um lado, a cabeça empurra pro outro. O anjinho sussura uma opinião, o diabinho arrasta-lhe pela orelha em sentido oposto. E se você não consegue discernir para onde levam os caminhos, é porque eles ainda não existem. E apenas um deles, o sortudo que for escolhido, vai de fato concretizar-se.

Minha última grande experiência com decisões não transcorreu bem como eu esperava. Envolvi-me em uma colisão, girei, rodopiei, fiquei sem norte, perdi-me pelos caminhos e quando dei por mim, tava aqui. No momento, sigo em uma autoestrada, a todo vapor. Mas já posso enxergar a próxima bifurcação. Pra que lado irei ligar o sinal de pisca? Ô Solidão, minha filha, pare com esse barulho que assim não há santo que consiga raciocinar. Responsabilidade, pô, dá um tempo! Livre-arbítrio, vai ver se eu tou ali na esquina! Tenham dó, e deixem-me chegar mais perto. Eu preciso, ao menos, ver as placas.

E em tudo isso vinha eu pensando ao longo do Tâmisa, em uma singela caminhada dominical. "Faz-se o caminho ao andar".

sábado, 31 de janeiro de 2009

Há menos beleza no salão de beleza

Nunca fui vaidosa. Na minha pré-adolescência, para me obrigar a decidir sozinha o que vestir, minha mãe assim respondia a minha ladainha diária ("mããããe, que roupa eu visto?"): "o céu com todas as estrelinhas" ou "o mar com todos os peixinhos". Minha mãe sempre teve um senso de humor peculiar.
Na minha adolescência, eu só queria saber de camisetas grandes e folgadas. Era até onde chegava a minha pouca rebeldia, junto com um yin yang pendurado no pescoço e umas quatro ou cinco pulseirinhas hippie que minha mãe me obrigava a cortar fora quando havia algum evento mais formal (o que, para minha sorte e das pulseirinhas, era raro). No meu aniversário de 15 anos, ganhei uns vinte frascos de perfume - que nunca usei.
Provavelmente um pouco concernada, mamãe começou a me induzir a usar um brinquinho, depilar as canelas, e, com um pouco mais de esforço, pôr um batonzinho em ocasiões especiais. Minha vó colaborou comprando-me um par de lentes de contato.
Quando comecei a ter opiniões mais formadas sobre a vida e o mundo, minha falta de vaidade foi fortalecida por uma necessidade de negar a futilidade feminina. Não, eu não usava quarenta produtos no cabelo, não, eu não tinha paciência para vitrines de shoppings, não, eu não alisava o cabelo e não, eu não usava maquiagem. E como me orgulhava disso! No entanto, como consequência, eu ficava meio por fora nas rodas de Luluzinhas, mas também ficava de fora das rodas de Bolinhas, que nunca se rebaixariam a ponto de discutir futebol comigo, ainda que eu tivesse assinatura da revista Placar e acompanhasse com a Rádio Clube, Adilson Couto e Luís Cavalcanti, "a marcha da partida".
Também como consequência, salões de beleza eram para mim uma sala de tortura, onde eu não tinha ideia se queria minha unha quadrada ou redonda, e onde fizeram chacota de mim diante de minha ingênua justificativa para não fazer a sobrancelha ("eu gosto da minha sobrancelha"). No salão, convencem-nos de que precisamos de tantos "polimentos" que a conclusão óbvia que se deriva é: ao entrar lá, estamos um lixo. Enfim, somos treinadas para não gostarmos de nós mesmas e vermos defeitos em tudo. Trata-se de uma destruição feroz de autoestima - mas não se desespere, nada que uma tarde nas mãos de profissionais não resolva.
Hoje em dia sou uma mulher. Continuo achando pulseirinhas hippie uma graça e salto alto não faz parte da minha vida, mas comprei lápis, rímel, e uma sombra (cor da pele, para não aparecer muito). Não saio sem brinco (que mamãe briga), mas nunca pintei o cabelo, tampouco fiz escova de chocolate, morango ou baunilha. Gosto de escolher minhas roupas, ainda que rejeite babados, firulas e cor-de-rosa, e admito uma queda por sandálias. Porém o maior esforço que jamais tive que fazer neste campo foi comprar um secador de cabelos. Tudo bem, custou-me £2.50 em uma feira de usados, mas ainda assim, é um secador de cabelos, e é meu (!!!). Ainda não me acostumei a possuir um símbolo-mor da ditadura da beleza loura, lisa e esquelética da qual sigo lutando para me dissociar. Além disso, o secador destrói os meus cachinhos naturais. Mas no inverno de Londres, tudo que gera calor é bem-vindo. Entendam, foi uma questão de sobrevivência. Porém se em um futuro próximo eu escrever um outro texto cheio de desculpas para justificar a compra de uma chapinha, mandem me buscar. O caso é grave.

sábado, 24 de janeiro de 2009

De mentirinha

Em uma das crônicas de seu mais recente livro, "Doidas e Santas", Martha Medeiros pinta a pessoa honesta como um caso em extinção, um chato careta que não consegue integrar-se sequer às pequenas maracutaias nossas de cada dia.
Sem falso pudor, eu me considero uma pessoa muito honesta (ainda que perdendo para a minha mãe) e talvez por isso venha me chocando recentemente com (aparentemente) inocentes episódios da vida pública.

Esperávamos as pizzas. Na mesa, uma australiana, um inglês, e três inglesas, fim dos 20, início dos 30. O rapaz contava que tinha comprado um par de tênis, mas achava que tinham-lhe recomendado e vendido o número errado, e gostaria de trocá-lo, ainda mais agora que a loja estava com uma super promoção "compre 1, leve 2". Porém, como tirar proveito da promoção se ele JÁ havia comprado o tênis? Morrendo de fome como eu estava, não me sobravam muitos neurônios para prestar atenção na conversa, mas de repente eu me dei conta que toda a mesa estava mobilizada para encontrar um jeitinho para o problema: "diga que está fazendo calos" (!), "finja que ainda não usou" (!!), "por que você não faz um rasgão ou algum estrago e diz que veio assim?" (!!!), etc. etc. O objetivo era pôr a culpa na empresa e, lógico, se dar bem. Que bonito ver amigos se ajudando assim. Eu? Me abstive. Preciso ser aceita nos grupos sociais. Recolhi-me à minha caretice apreciando o divino queijo de cabra da minha pizza.

Dias depois, a mesma australiana reserva uma mesa para um tradicional chá com biscoitos em um hotel chique de Londres. E, assim, sem razão aparente, ou quem sabe para cavar um desconto ou qualquer coisa do gênero, inventa para o funcionário que comemorávamos o aniversário do mesmo rapaz inglês do tênis.
No meio do lanche, eis que o pianista dedilha um happy birthday to you e dois garçons aproximam-se com um prato decorado comemorativo. Todo o salão bate palmas em festa, e o rapaz (que convenhamos, não é um mau garoto) enrusbece ao agradecer com um sorriso sem-jeito, enquanto o restante da mesa (ingleses e australianos) ri, vibra e solta piadinhas. Eu? Decidi que mais valia a pena me inebriar do cheiro do meu chá de canela.

E assim, de mentirinha em mentirinha, vão as pessoas tentando tirar vantagem em tudo. Já parece até algo natural, faz parte do jogo, é assim que se ganha, ora não seja um pateta! Depois, moralistas, condenam os outros, indignam-se com falcatruas reveladas, gritam aos quatro ventos que político não presta e revoltam-se ao serem lesadas. Porque, claro, devem se achar, no mínimo, um exemplo de honestidade.